segunda-feira, 12 de março de 2012

Familia margarina *

Ter filhos pra ocupar o carrão. Ter filhos pra poder vestí-los com as melhores roupas. Ter filhos pra exibir uma bela barriga de grávida. Ter filhos pra poder encomendar o carrinho de bebê em Miami. Ter filhos pra sair bem na foto. Ter filhos pra estampar a carinha deles no Facebook e anunciar ao mundo que eles são amados. Ter filhos pra ter. Porque a vida é ter.

Deus, salve essas pobres crianças. E pare o mundo que eu quero descer!

*Inspirada no bate-papo filosófico com Rosely Sayão, na TV Cultura, noite de 11/3/2012

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ela voltou!

Pois é, como anunciei há pouco em rede social, aquela uma hora que me havia sido roubada em outubro foi-me devolvida. O delegado de plantão disse que achar de volta o que foi roubado, nos dias de hoje, é como achar agulha em palheiro. Pouca gente sabe o que é isso: agulha virou coisa de vovozinha e ninguém sabe o que é um monte de palha.
Fui verificar se, passado tanto tempo, aqueles 60 minutos estavam intactos. Aparentemente nada sofreram. Mas, gente, quando sumiram, naquele fatídico outubro, me deixaram com preguiça e sonolência. Espero voltar a acordar lépida, como sói acontecer.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Berlim


Confirmei o que era apenas uma impressão. Te amarei para sempre. Amor de algum lugar do passado, agora concreto. Reluz como o anjo da vitória. Cidade dos anjos. Berlim, hoje e sempre!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Menos é mais *

Li há tempos atrás que "Menos é Mais" era nome de movimento que começava a surgir na Europa e América em favor do consumo responsável. Não li mais nada sobre, mas achei o nome perfeito para o que busco aplicar em minha vida. E me surpreendo com reações de espanto que causo até em algumas pessoas muito queridas, que não se conformam quando vc, tendo condições financeiras, não compra uma TV LCD ou um carro de padrão mais elevado.

Não consigo me encaixar no tal padrão que impõe que mulher tem que ser louca por bolsas e sapatos. Causo inveja quando digo que meu marido tem que insistir muito pra me presentear. Outro dia chegou com um par de tênis novos pra mim. Agradeci, que não sou mal-educada, mas não consigo entender a razão de usar modelos diversos pras caminhadas. E trocar a bolsa dá um trabalho!

Não sei se a formação política marxista-leninista me fez ser chegada a um uniforme, não usar maquiagem, ser alérgica a bijuterias e a detestar (pra mim) visuais amados pelas chamadas peruas ou piriguetes. Nada contra.

Não sei se as dificuldades financeiras da adolescência marcaram tanto assim.

Só sei, do pouco que acho que sei, que, nos dias de hoje, até em nome da salvação do planeta, menos É mais! Vamos tentar ser menos seduzidos pela propaganda subliminar que insiste que "uma comprinha cura uma depressãozinha". Ou por aquela máxima da consumista: "Eu mereço me presentear".

Também não tema: o mercado não irá sucumbir nem o capitalismo acabar se vc se controlar um pouquinho e pensar que o prazer de um bom filme ou de conhecer uma nova cidade é mais duradouro que o frisson que a vigésima primeira sandália com salto de cordas te causou.

Não bastassem convicções tão sedimentadas dentro de mim, observo a infelicidade de novos ricos, sorrisos forçados, que não duram mais que algumas horas, estampados em fotos exibicionistas no Facebook, vestindo brilhos em si e em seus filhos. Brilho que há muito sumiu de seus olhos.

* Me inspiraram sábias colocações de defesa ambiental do defensor público Wagner De La Torre e artigo de Adriana Setti, na Época, a respeito do comportamento da classe média alta em relação aos supérfluos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Berlinesca

Ainda não estive lá, mas é como se tivesse vivido em Berlim toda minha vida.
O que será que nos faz ter essas sensações? Filmes, livros, sonhos?
Se tudo der certo, conhecerei minha terra em janeiro.
Quem sabe desvenda mistérios e descortine agora, aos 55, a minha realidade.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Esperando Melancolia

Sinto-me hoje como Claire, à espera da colisão do planeta Melancolia com a Terra, como no filme de Lars Von Trier. Conta o fato de que fui gerada por alguém que lembra muito a personagem de Charlotte Rampling, aquela mulher cortante, que fala sempre o que quer?
Mas, antes do desastre final, fiz um corte e umas luzes no cabelo.
Choveu elogios.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pote meio cheio

Sempre Chico. Não me sai da cabeça:
"Deixe em paz meu coração/
Que ele é um pote até aqui de mágoa/
E qualquer desatenção, faça não/
Pode ser a gota d'água"